No dia 09 de abril, a AGACAM participou do Fórum de Mulheres na Saúde, realizado em Porto Alegre, no Hotel Plaza São Rafael, a convite do Ministério da Saúde, representada pela nossa presidente Andrea Cavalli.
O encontro reuniu conselheiras de saúde, gestoras, profissionais da área e organizações sociais, entre elas a Associação Gaúcha de Consultoras em Amamentação, que tive a honra de representar como presidente. Durante o evento, o Min. Saúde fapresentou políticas e programas voltados à saúde da mulher, alguns já em andamento, outros em construção. Na sequência, fomos convidadas a refletir, em grupos, sobre lacunas ainda existentes e pontos que precisam avançar.
Nesse espaço, iniciei minha fala parabenizando uma conquista importante: o reconhecimento da atividade das doulas como profissão regulamentada. Um avanço que reforça algo essencial — o respeito às escolhas da mulher e o direito ao acesso a uma assistência qualificada.
A partir disso, trouxe uma pauta que ainda carece de visibilidade e estrutura: a assistência em amamentação.
É preciso olhar para a amamentação como parte contínua do cuidado em saúde do pré-natal ao desmame. Hoje, esse acompanhamento no pré-natal ainda é praticamente inexistente em muitos contextos. E seguimos enfrentando desafios importantes, como o retorno ao trabalho, em um país onde a licença-maternidade de 4 meses não acompanha a recomendação de 6 meses de aleitamento materno exclusivo, tampouco ações efetivas nos postos, escolas e empresas para que as mães trabalhadoras continuarem amamentando.
Também destaquei a necessidade urgente de fiscalizar políticas públicas já existentes voltadas ao aleitamento materno. Temos diretrizes. Temos evidência. O que ainda falta, muitas vezes, é execução. Como IBFANer, destaquei que ano a ano fazemos o monitoramento à NBCAL, mas a indústria e o comércio seguem cometendo as mesmas infrações, talvez porque não exista punição efetiva sobre as irregularidades.
Outro ponto crítico é o acesso a assistência: temos poucos bancos de leite “porta aberta”, aqueles que acolhem mulheres fora do contexto hospitalar onde ocorreu o parto. Não há acesso a especialistas em amamentação onde elas mais precisam, nas unidades de saúde na comunidade. E no sistema privado? Consultoras em amamentação são barradas na porta de maternidades, em desrespeito a autonomia da mulher, enquanto lá dentro ainda acontecem orientações e assistência desatualizadas. Isso significa levar o problema para casa.
Nesse sentido, expus que a AGACAM hoje conta com cerca de 90 consultoras em amamentação distribuídas pelo estado, profissionais com sólida formação e constante atualização, prontas para contribuir de forma ativa com o sistema de saúde.
Já atuamos em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde em iniciativas como a educação continuada no PIM, e seguimos à disposição para ampliar essa atuação, seja na formação de profissionais, na construção de fluxos de atendimento ou na qualificação da assistência prestada às mulheres e seus bebês.
Estiveram presentes no evento nomes importantes como Mariana Seabra, Maria Sanchez, Tatiana Maffini, Gisele Tertuliano, além de representantes do Sistema CFN/CRN e do Conselho Estadual de Saúde.
Participar desse espaço é reafirmar que a construção de políticas públicas eficazes passa, necessariamente, pela escuta de quem está na prática — e, principalmente, pelo compromisso em transformar diálogo em ação.